terça-feira, 29 de março de 2016

Só o (meu) Amor Me Importa


Não conto história alheia não, moça. Só sei desenhar as minhas. Só traduzo o que sofri. Só revivo o que sinto, como quando o meu coração desmontou de tão aguado. De tão abatido. Coração fraco. Você me pede que agrupe palavras para narrar o seu amor, mas eu não sei fazer isso não. Ignoro amores além da janela. Esnobo seus ruídos. Amores tontinhos. Só me interessam os corpos que alcancei e os olhares que perdi. Só há beleza quando sobro. Só há palavras quando meus sonhos se despedem de mim. Ou desaparecem sem telefonema, sem post-it na geladeira. A sua história não comove a minha vontade de popular telas em branco, moça. As suas lágrimas sou incapaz de escutar. Meu caderno é egoísta demais para abrigar amores que não me pertencem. Não me odeie não, moça. Mas é que ultimamente a falta dele tomou conta de todas as minhas páginas. E enquanto meus livros deixam de cheirar a livros, porque cheiram a dias com ele, eu não posso falar de você. Só posso rabiscar por mim. Tentar decifrar o que querem as borrachas, que passam à força por cima das minhas paixões, me obrigando a apagar o que vivo e que está bom. A mentir que não me importo. Que não gosto. Gastando dias inteiros com lembranças. Escondendo carências. Por isso, moça, me entenda. Seu romance é livro na estante. E essa minha tristeza, a única coisa na cabeceira.  POR PRISCILA NICOLIELO

Texto original em: http://www.priscilanicolielo.com/2013/03/so-o-meu-amor-me-importa.html#.UVJGjhyHsew

A Garota do Coração Apertado

Não... Não fique parado no batente da porta com seus olhos fechados esperando eu dizer “ não vai..”
Vá... Era isso que você queria quando a implicância era sua fiel escudeira, quando o simples fato de deixar recostar minha cabeça no seu peito era seguido de um suspiro profundo, traduzindo sua obrigação de me trazer conforto.
Não faça silêncio ai na porta tentando ouvir os pedaços do meu coração que se parte, é só um passo, e só uma porta a se fechar, nada mais que isso.
Não diga frases ensaiadas na frente do espelho, já conheço o teatro, já vivi ele  algumas vezes na minha vida, e conheço quando alguém finge pra mim..
Nem me olhe com aquele olhar bobo, com a sobrancelha  levantada que me dá calafrios, essa é sua decisão não minha, e sobre a sua vontade não tenho poder.
Não me diga que foi minha carência, isso não tem nada a ver, não vocifere que eu não precisava de um homem, mas de um pai, sei muito bem quem é o meu, e nessas duas dezenas e meia de vida nunca vi ele  gritar com minha mãe como você faz comigo quando não quero assistir futebol...
Vá... Há um mundo de opções, meninos querem o que os excita e homens o que lhes cativam, e nesse jogo de homem e menino, é você está perdido, é você que não sabe quem você é...
Não me ligue de uma boate qualquer quando todas as moças que você beijar de repente  assumirem meus traços enquanto você fecha os olhos.
Nem  acorde de ressaca no seu apartamento lembrando da nossa viagem, nem tente dobrar suas palavras ágeis num texto, numa poesia tentando me ter de volta.
Esqueça o endereço, o numero do celular, apague se tiver coragem, coisa que duvido que tenha, eu te conheço leio todos os sinais que você emite.
A mão  inquieta no joelho, demonstrando inquietação ou dúvida por alguma coisa que tenha que decidir, só bata a porta e se vá... Simples assim...
Aprendi muitas coisas, amor não serve pra ser implorado, e se em algum momento (esse momento) e sinto que não é mais você.
Não, não há outro batendo na minha porta, nunca houve, mas se é assim que você quer , que seja, o amor da nossa vida pode ser  totalmente substituível, pois esse amor que você jurava, com cartas, flores  ou qualquer outro artifício que pudesse ser  in ventado, era volúvel, no mesmo instante em que sua ânsia de liberdade batesse a porta.
Realmente não sei o quanto tudo isso pode ser divertido, mas lembre-se das minhas palavras:
“´´E de mim que a saudade vai trazer notícia, e quando  numa manhã qualquer seu peito vai ser invadido por uma avalanche de sentimentos, medo, culpa, raiva, amor e claro, desespero.
Desespero de não saber ao certo se foi certa essa sua decisão, de me ver dentro da sua cabeça quando você fecha os olhos, viva e pulsante dentro do seu coração quando você ainda, lembra das minhas manias, do meu pé gelado que sempre procurava o seu antes de adormecer...
Vá... Vai doer um pouco, ou muito, tanto faz, corações se partem todos os  dias, a cada minuto, mas felizmente ele ainda está inteiro, só um pouco apertado.
“ A garota do coração apertado”, sim apertado, porque, com você ai parado na soleira da porta, muita coisa se torna clara e evidente,  uma delas é que quando eu declarei sem medo nenhum o SEMPRE tudo isso se tornou só uma pequena aventura, uma estadia, um período...
Anda... O coração desaperta uma hora, eu  vou voltar a achar  graça nas rosas vermelhas, nas comédias românticas e silenciosamente a dor se vai, me deixando livre dessa vontade de tudo aquilo que você prometia me dar, mas que realmente, nunca chegou a ser real.

Coisas...

“ Que as pequenas coisas mostrem pra você o que é felicidade”

O silêncio que você faz quando me ouve falar, o modo como brinca com o cabelo quando se distrai com alguma coisa, ou até o som da sua risada quando eu tento ser engraçado.
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas, coisas que você é, pequenos pedaços de saudade, pequenos  vestígio de felicidade, uma canção não cantada, uma poesia não escrita.
O modo  que você silencia, a maneira como reclama ou só o modo em que pede “eu só queria que tudo voltasse a ser doce”.
As palhaçadas que você me faz fazer, por prometer sempre fazer você rir a cada dia, a preocupação que você me faz sentir se não está tudo bem. Os conselhos que dou tentando acalmar seu coração, o jeito que sua mão encaixa na minha...
Como você dorme com as mãos no rosto, o jeito que se espreguiça quando acorda, todo o sono que você sente e como você diz “ sono não se controla”.
As musicas que você ouve, a sua frase “ eu faço os doces você os salgados”, a maneira espetacular como você consegue ser desastrada, a mania que você tem de chorar por tudo, por todos.
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas... coisas que você é,  mistério indecifrável, questões que não se respondem, verdades que não se questionam, frases que não se calam.
Um aperto no coração quando você se cala, uma foto de um pé contundido numa tela, o medo que você sente do amor, o jeito como você me conta como foi seu dia. Singulares coisas na sua figura encantam de primeiro ato, o tom da sua voz, a maneira como gesticula quando fala, e como pousa o calcanhar no chão primeiro quando anda.
Até quando eu  vejo graça quando você fica brava, a mania que você mantém de dormir no meio de uma conversa...
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas... coisas que você é, o início de nada, o fim de tudo, motivos, razões e circunstâncias, uma causa pra defender.
As coisas que escrevo,  a revolta por você não acreditar em nós, o meu silêncio profundo quando vejo sua foto.  A mania que a gente tem de se tratar por aquela pequena  palavra que começa com “N”.
Você ainda consegue ser, em um piscar de olhos, tudo o que eu quero, aquilo que prometo manter distância, mas nunca cumpro, porque cuidar de você ainda parece ser a promessa mais importante que fiz na minha vida.
Você é muita coisa que não caberia em mim, você é meu último nome na minha oração antes de deitar, meu primeiro pensamento ao abrir os olhos, a inicial do seu nome presa no meu quadro de metal.
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas, coisas que você é... PRA MIM.

Encontros

Aí sim. O milagre do encontro acontece, e os dizeres ganharão outro significado. Mas será reciproco. Nem que seja provisório. É o conhecimento de uma nova vida com suas saliências e reentrâncias, com seus sabores e estranhamentos. Mas vão os dois”

Gabriel Chalita



A gente sempre encontra alguém que nos desarma, e nos coloca disposto a viver algo que almejamos há muito tempo.
A gente sorri com uma foto que não sabemos quando foi tirada.
Encontros são fruto da espera, porque  tem um ritmo cadenciosamente  lento, num mundo onde tudo  nasce cresce e morre prematuramente, os encontros, os grandes encontros são feitos da certeza de que parte gêmea do que somos está em algum lugar, e chegara até nos num dado momento.
São feitos de dores, de desenganos, de planos partidos, de lágrimas. Lágrimas que choramos anteriormente, mas que nos deram a maturidade de saber, que paixões são rápidas, egoístas e barulhentas, extinguem- se rápido e deixam nos marcas. Marcas daquilo que não devemos fazer ou dizer.
Encontros são junções de histórias, de riso fácil, de SMS o dia inteiro, de “farei você sorrir todo dia”, de presença, de promessa.
Promessa de entender o outro todo dia, de saber que ele tem seus gostos, seus jeitos e suas manias, embora encontros juntem pessoas de ideais semelhantes, há a necessidade de se respeitar a sacralidade da individualidade, “o outro está comigo, mas não é meu”.
Ao inverso da paixão que queima, restringe escraviza, os encontros nos deixam livres pra sermos quem quisermos ser, estarmos onde quer que queiramos, mas nos dá a vontade de voltar... Voltar e ver uma tela que se ilumina e com poucas palavras torna seu dia melhor, mais brilhante, mais intenso, mais real.
Esse encontro, nasce do medo de não dizer, que tudo o que se quer dizer, é cultuado no  mais profundo silêncio ao mirar uma foto, de ler e reler coisas escritas, de saber que a história já se desenhava há tempos atrás, sem perceber.
Encontros podem não ser eternos, mas nos dá vontade de tentar fazer o outro feliz hoje.. ou até amanhã... e dia seguinte... Não declara o “sempre” em suas primeiras horas,  mas tenta o construir a cada dia... a cada hora a cada momento.
De mãos dadas, a travessia fica mais bela, mais serena, mais leve, mas vão os dois... de mãos dadas.

Enquanto Você Não Vem

"As esperas que amadurecem o encontro, não são atrasos”

Enquanto você não vem, olho a sua foto, admiro seus olhos grandes e  brilhantes tradução que paixão realmente pode acontecer  naquele instante suspenso em que nada importa.. só vc.
Corro no meio de entrevistas, pagamentos, demissões, acidentes de trabalho, mas não deixo de olhar o celular se você dá sinal de vida.
Tento  cumprir minha promessa de “ fazer você rir a cada dia”, mesmo que tenha só alguns caracteres numa tela que pisca quando você me responde, e nestes singulares momentos sorrio, so porque você sorri.
Enquanto você  não vem, procuro musicas que têm a sua cara, ou que traduzam  você pra mim, já que você consiste em ser esse mistério, que nem desvendo e nem consigo me afastar.
Nesse período de espera, daquilo que não sei se há de vir, mas prometi ficar e aqui fico, esperando um sinal, um aceno.. um adeus.
Mas se em algum momento você vier...

FICA...

Eu baixei e encodei em DVD sua série favorita, se você quiser a gente assiste  junto, eu sei fazer pipoca de micro-ondas, brigadeiro de panela ou lasanha ao molho branco.
Se não quiser isso, tudo bem,  eu te conto como foram os meus dias e seguro sua mão  enquanto você me diz do que tem medo.
Ou o que te irrita, o que  te deixa triste, você sabe, cada frase te darei um beijo na testa e direi “ não há de ser nada”.
Fica.. tem um universo  entre nós dois e pouco sei de você,  você foge  quando eu falo de sentimentos, ou sempre diz palavras  de só duas sílabas.
Fica, o mundo lá fora pode esperar um pouco, liga pra sua mãe e diz que se perdeu, ou pras amigas que nem sabem que eu sou, que vai demorar mais um pouco.. ou muito.
Eu tenho um sofá grande e um cobertor anti-alérgico se fizer frio, eu tenho um pen- drive com mais de cem musicas pra você saber que quando ouço cada uma delas eu lembro do seu sorriso.
Eu posso te fazer massagem ou cantar pra você (eu canto bem!), aquela canção que você cantava quando era adolescente.
Ou a gente  pode jogar aquele jogo de anos atrás, quando em nenhum momento eu podia imaginar que ia  te falar “é pra direita!!!”.
Fica vai... Nenhuma poesia criada ou não por mortais, ou seres divinos pode traduzir o que eu sinto quando você sorri, mas eu sinto...
O mundo lá fora é esquisito frio e sem sentimento, te faço um chocolate quente, um chá  de camomila e a a gente ri de si mesmo, dos outros.. de todo mundo.
Mas se já tiver que ir mesmo deixe seus traços, seu corpo e seus braços, seu sorriso, suas músicas preferidas. Deixe-me só mais um pouco de você, num silêncio tardio enquanto a gente se olha.